Lesão Medular – Prognóstico e Problemas Associados

Prognóstico

A incapacidade, na lesão medular, varia de acordo com o grau da lesão, do segmento medular e das vias nervosas e neurônios da medula envolvidos. A maioria dos pacientes apresenta melhora que se inicia a partir da primeira semana e vai até o 6º mês do trauma. A possibilidade de melhora espontânea diminui após o 6º mês. Estratégias de reabilitação instituídas precocemente podem minimizar a incapacidade a longo prazo.

As orientações da terapia funcional são fundamentais para evitar ou minimizar deformidades articulares, osteopenia (diminuição da trama óssea) com fraturas secundárias e trombose venosa profunda. A fisioterapia respiratória facilita a eliminação de secreções e reduz a incidência de infecções e outras complicações pulmonares. Os cuidados com a pele evitam o desenvolvimento de úlceras por pressão. Cuidados adequados com as vias urinárias (uma das principais causas de óbito em pacientes com lesão medular no passado) e com o intestino evitam complicações graves. Todas estas medidas podem reduzir a morbidade e a mortalidade além de melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

PROBLEMAS ASSOCIADOS

Úlceras por Pressão

Uma das complicações comuns e debilitantes encontradas em pacientes com lesão medular são as úlceras por pressão, que podem ser responsáveis por hospitalizações e longos períodos de imobilidade.

Circulação adequada de sangue no corpo é fundamental para manter viva a pele. Quando a circulação é interrompida por tempo prolongado, as células morrem e surgem úlceras. Elas surgem, geralmente, nas áreas onde os ossos são pouco protegidos por músculos (Figura 1). As causas mais comuns são a pressão do colchão, de um assento de cadeira ou de alguma superfície dura em contato com a pele. Ficar muito tempo sobre uma cama ou cadeira em uma mesma posição leva a um aumento de pressão sobre a pele. Ao mesmo tempo, o peso do corpo empurra os ossos contra os vasos sanguíneos. Com esta pressão de fora para dentro e de dentro para fora, a circulação sanguínea pode ficar prejudicada em uma determinada região e surge a úlcera por pressão.

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Figura 1

Se as úlceras não forem bem cuidadas, elas vão ficando cada vez maiores e mais profundas, comprometendo os músculos e podendo chegar até os ossos. Freqüentemente, as úlceras infeccionam e, se a infecção chegar até os ossos, a cura é extremamente difícil. Uma das principais causas de morte em pessoas com lesão medular são as úlceras por pressão.

O aparecimento das úlceras pode ser evitado através de cuidados simples com a pele e o corpo. A pele deve ser sempre observada, principalmente as áreas que recebem maior pressão. As úlceras geralmente se iniciam como pequenas áreas avermelhadas que podem ficar arroxeadas em pouco tempo até se transformarem em uma pequena ‘ferida’. Aliviar a pressão sobre a pele quando na cama ou cadeira de rodas periodicamente (Figura 2), fazer uso de alimentação saudável, ingerir dois a três litros de líquidos por dia, manter a pele limpa e seca e usar roupas leves e confortáveis são medidas que auxiliam a prevenção das úlceras por pressão.

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Figura 2

 

Disfunção Urinária

A maioria das pessoas com lesão medular não possui controle urinário normal. O sistema urinário é responsável pela produção, armazenamento e eliminação da urina e é formado pelos rins, ureteres, bexiga e uretra (Figura 3). A urina é produzida pelos rins. Depois que os rins produzem a urina, esta passa pelos ureteres e é armazenada na bexiga. A bexiga é como um ‘saco muscular’. Quando ela enche, os músculos da bexiga se contraem e a urina é eliminada através da uretra. No momento em que os músculos da bexiga se contraem o esfíncter da uretra, que também é um músculo, se relaxa para facilitar a saída da urina. Normalmente ocorre um funcionamento sinérgico entre a bexiga e a uretra, ou seja, durante o enchimento, a musculatura da bexiga está relaxada para acomodar a urina proveniente dos rins, enquanto o músculo do esfíncter da uretra está contraído para evitar a saída da urina coletada na bexiga. Ao contrário, quando a bexiga se contrai para eliminar o seu conteúdo, o esfíncter relaxa para permitir a eliminação da urina. Para isso acontecer normalmente, é preciso haver coordenação entre os músculos da bexiga e do esfíncter da uretra. Quando este trabalho não ocorre de maneira integrada, acontece o que se chama dissinergismo vésico-esfincteriano, situação que contribui para a ocorrência de complicações. Se a bexiga e o esfíncter se contraírem ao mesmo tempo, haverá um esforço maior da musculatura da bexiga para conseguir vencer a resistência do músculo da uretra. Este esforço leva, com o tempo, a um enfraquecimento da parede da bexiga e a formação de divertículos que acumulam urina residual, diminuindo a resistência a infecções, favorecendo a formação de cálculos e o refluxo de urina da bexiga para os rins, colocando em risco a função renal.

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Figura 3

O cérebro e a medula espinhal são responsáveis pelo trabalho coordenado entre a bexiga e o esfíncter uretral garantindo o controle urinário. Uma lesão medular pode comprometer a comunicação entre o cérebro e o sistema urinário e a eliminação da urina armazenada na bexiga deixa de ser automática.

Se a lesão for incompleta, é possível haver recuperação parcial ou até total com o tempo. Mas até que esta recuperação aconteça, a utilização de alguma técnica para esvaziar a bexiga pode ser necessária.

Dependendo do nível da lesão medular, a bexiga pode passar a ter dois tipos de comportamento:

a) Passa a acumular uma quantidade menor de urina do que antes da lesão medular e os músculos da bexiga passam a ter contrações involuntárias com perdas freqüentes de urina – bexiga espástica, comum nas lesões medulares acima do nível sacral (acima de T12).

b) Passa a acumular uma quantidade maior de urina do que antes da lesão medular porque os músculos da bexiga não se contraem mais e isto faz com que grande quantidade de urina fique retida dentro da bexiga, muito acima da capacidade normal – bexiga flácida, comum nas lesões medulares ao nível sacral (abaixo de T12).

O diagnóstico do tipo de bexiga é importante para a definição do tipo de tratamento que, de qualquer maneira, tem como principais objetivos: manter a bexiga com baixa quantidade de urina e com baixa pressão em seu interior, evitando o refluxo de urina da bexiga para os rins, prevenir infecções urinárias, promover a continência e preservar a função dos rins.

O método mais utilizado para esvaziamento da bexiga é o cateterismo intermitente. A técnica é simples e pode ser aprendida facilmente. O cateterismo intermitente é um procedimento no qual é introduzido um catéter (tubo) limpo através da uretra, para esvaziar a bexiga, a cada três ou quatro horas durante o dia, procurando manter a pressão dentro da bexiga em níveis normais e evitando as perdas urinárias. Se, mesmo com o cateterismo realizado adequadamente, continua havendo perdas, existem medicações que interferem na contração ou no relaxamento da bexiga ou da uretra que, associadas ao cateterismo, vão permitir melhores condições de armazenamento e esvaziamento.

 

Disfunção Intestinal

A lesão medular determina, também, alterações do controle intestinal. Nas lesões de nível mais alto, o distúrbio está principalmente relacionado com inatividade da parede intestinal (tendência a constipação crônica) e nas lesões mais baixas com incontinência (tendência a eliminação acidental de fezes). Embora na maioria das lesões medulares não seja possível a recuperação do controle intestinal, um programa de reeducação pode fazer com que o intestino funcione sempre em um mesmo horário, tornando mais fáceis as atividades fora de casa.

As regras básicas para a reeducação intestinal são: dieta rica em fibras vegetais, ingestão adequada de líquidos (2 a 2,5 litros por dia), realizar exercícios diariamente, ter um horário programado para estimular o funcionamento do intestino, fazer massagem abdominal no sentido horário no momento do esvaziamento, e, quando necessário, usar laxante, o mais natural possível. Se as orientações apresentadas não forem efetivas, a utilização de recursos tais como estimulação digital com luvas, supositórios e enemas serão necessários. Todos estes procedimentos devem ser orientados pelo médico.

 

Disreflexia Autonômica

Disreflexia autonômica é uma complicação freqüente nas lesões cervicais e pode ocorrer também nas lesões medulares acima de T6. Qualquer estímulo que, normalmente, causaria dor e desconforto na pessoa sem lesão, na pessoa que não sente por causa de uma lesão medular pode causar uma crise de disreflexia. As causas mais comuns são bexiga ou intestinos cheios e distendidos.

Os sintomas mais freqüentes de disreflexia autonômica são: dor de cabeça, enxergar pontos brilhantes, visão borrada, arrepios acima do nível da lesão, sudorese acima do nível da lesão, manchas vermelhas na pele acima do nível da lesão, obstrução nasal e freqüência cardíaca baixa. Pressão arterial elevada e descontrolada é a conseqüência mais perigosa. A disreflexia á uma emergência médica e requer atendimento médico.

 

Trombose

Quando o corpo não é movimentado regularmente, existe a possibilidade de ocorrer o aparecimento de um coágulo de sangue chamado trombo. O trombo formado na perna pode se desprender e viajar para outras partes do corpo. Se isto ocorrer, ele passa a ser chamado de êmbolo e um dos lugares mais comuns para um êmbolo se hospedar é o pulmão (embolia pulmonar).

Os sinais mais freqüentes de trombose são: panturrilha ou coxa de uma das pernas mais quente e mais edemaciada (inchada) do que a outra. Na presença destas alterações, avaliação médica e tratamento adequado se fazem necessários.

 

Embolia Pulmonar

Os principais sintomas de embolia pulmonar são: diminuição repentina da respiração, dor no peito ou nas costas e tosse de aparecimento súbito. Havendo suspeita de embolia pulmonar, deve-se procurar o pronto socorro imediatamente.

 

Siringomielia

Alguns pacientes com lesão medular, meses a vários anos após a lesão passam a apresentar dor, ascensão do nível sensitivo ou motor (como por exemplo um paciente paraplégico que passa a apresentar dormência, atrofia e fraqueza em uma das mãos), acentuação da espasticidade (tônus muscular aumentado), mudança do padrão urinário (de urgência, passa a apresentar retenção), alteração da sudorese, ou, até mesmo, queixas como disfagia (dificuldade de deglutição). Em muitos deles, os exames de imagem mostram a formação de cavidades intramedulares, que se estendem por vários níveis, acima e abaixo da lesão traumática, e que recebem o nome de siringomielia pós-traumática. Considerada rara no passado, a partir do advento da ressonância magnética, a prevalência de siringomielia em pacientes com lesão medular tem sido estimada em torno de 8 por cento. O tratamento pode demandar procedimento cirúrgico.

 

Distúrbios do Humor

Distúrbios do humor, particularmente depressão, são freqüentes em pacientes com lesão medular. A integração precoce em programas de reabilitação e socialização incluindo atividades esportivas diminui a prevalência de depressão e ansiedade.

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Fonte: Rede Sarah Kubitschek

Pesquisa aumenta chances de pacientes com lesão medular movimentarem membros inferiores e superiores

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Nos últimos 25 anos, o professor Alberto Cliquet Junior, do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, dedica-se aos estudos para reabilitação de pacientes com lesão medular, paraplégicos e tetraplégicos, tornando possível, em alguns casos, o retorno dos movimentos voluntários nos membros inferiores e superiores.

A lesão medular afeta milhares de pessoas em todo o mundo e interfere em vários aspectos da vida social e profissional do paciente. “Após sofrer o trauma, a pessoa é acometida por uma interferência na comunicação do cérebro, que fornece a informação sensorial de dor, temperatura e propriocepção ao corpo”, explicou pesquisador.

Além disso, a falta de sensibilidade para movimentar-se resulta em outros prejuízos à saúde, como: obesidade, osteoporose, doenças cardiovasculares, infecções do trato urinário e diabetes.

O trabalho é desenvolvido no Laboratório de Biocibernética e Engenharia de Reabilitação (LABCIBER) da EESC e aplicado no Laboratório de Biomecânica e Reabilitação do Aparelho Locomotor do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele consiste na tecnologia de Estimulação Elétrica Neuromuscular (EENM), que gera impulsos elétricos de baixa intensidade aplicados por eletrodos colocados sobre a pele do paciente e que estimulam o sistema nervoso.

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Os eletrodos do equipamento são anexos, sem que haja qualquer tipo de intervenção cirúrgica, em pontos estratégicos dos membros superiores para gerar o movimento de esticar o braço e prender objetos com os dedos. Nos membros inferiores o objetivo é estimular a marcha artificial, que é um tipo de locomoção de padrão bípede reproduzido pelo sistema sensório-motor(percepção e reação) do corpo.

Após um período de tratamento, que pode variar de acordo com cada paciente, o processo pode gerar sensações e atos voluntários, isso porque, após a lesão medular causar uma falta ou interrupção de controle e comunicação do cérebro com todos os sistemas fisiológicos, a estimulação eletrônica é capaz ativar o Gerador de Padrão Central humano, o qual é uma cadeia de neurônios capaz de criar um padrão de movimento rítmico por si só, isto é, sem que seja necessária a interação de um controlador principal, como o cérebro.

Para os tetraplégicos a prática é aplicada nos membros inferiores por meio de uma tecnologia chamada de Suporte Parcial de Peso Corpóreo, que é associada à estimulação elétrica neuromuscular. Para os membros superiores utiliza-se um equipamento robótico que fica acoplado ao braço e também funciona combinado à estimulação.

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Atualmente, usando essa tecnologia, o pesquisador consegue realizar o atendimento de um número limitado a 100 pacientes no Ambulatório de Reabilitação Raquimedular do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp. “Entre os voluntários que realizam o processo, 90% ficam em pé e andam artificialmente com os aparelhos e protocolos de estimulação neural, e cerca de 3% voltam a andar”, afirmou Cliquet.

Os resultados indicam também que, ao ficar em pé e caminhar por meio do equipamento, os pacientes tiveram melhoria na função cardiopulmonar e a reversão da osteoporose, além de manterem a integridade das articulações.

Segundo o docente, alguns países desenvolvem ou já desenvolveram tecnologias para a reabilitação de lesados medulares baseando-se em outros estudos, mas o trabalho desenvolvido por Cliquet nos dois laboratórios é pioneiro no que diz respeito às pesquisas e ao atendimento ambulatorial dos pacientes.

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A inovação tecnológica por meio de estimulação eletrônica é considerada muito promissora na área de engenharia de reabilitação, mérito reconhecido em convites feitos ao professor para participar em diversos congressos internacionais. Dentre as apresentações como palestrante convidado, destacam-se o 13th World Congress da International Society for Prosthetics and Orthotics (ISPO), em 2010, a 4th International Joint Conference on Biomedical Engineering Systems and Technologies (BIOSTEC), em 2011, o 11th Vienna International Workshop on Functional Electrical Stimulation (FES), em 2013, e a participação como presidente na 7th International Conference on Biomedical Electronics and Devices (Biodevices), ocorrida em março deste ano.

Para que a pesquisa seja ampliada e aplicada em outros centros e hospitais especializados em tratamento de pacientes com lesão medular ainda faltam investimentos. Hoje ela se mantém através de recursos de várias fontes para o desenvolvimento e aplicação, mas, segundo o docente, ainda é necessário que haja um maior reconhecimento das agências de fomento.

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Fonte: EESC – USP
Por: Keite Marques da Assessoria de Comunicação da EESC

Taekwondo dá novo sentido à vida de pequeno cadeirante

Com apenas 5 anos, Luigi é um dos atletas mais esforçados da escolinha de taekwondo. Através do esporte que de início parecia uma dificuldade, o pequeno acabou se tornando um exemplo de superação para muitas pessoas.

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(Foto: Tiago Brandão)

O pequeno Luigi Palumbo nasceu com uma lesão na medula espinhal e, segundo os médicos, nenhum tratamento pode fazer ele andar. Um diagnóstico muito triste para uma criança cheia de vida, porém, através do taekwondo ele acabou encontrando uma forma de se integrar e treinar de igual para igual com as outras crianças da turma. E apesar da pouca idade, apenas 5 anos, se tornou um exemplo de motivação para todos ao seu redor.

“Ele tem uma lesão medular que impede o movimento das pernas, da cintura para baixo, é genética, já nasceu sem andar”, explica a jovem mãe Laura Palumbo, de 36 anos. Por conta do diagnóstico, os profissionais de onde ele faz tratamento, na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) de São Paulo, aconselharam a utilização de cadeira de rodas desde seus dois aninhos de idade.

Porém, apesar da lesão, seu desenvolvimento cognitivo é perfeito, e como toda criança, é alegre e adora brincar. Já na primeira escolinha mostrou interesse por luta através do karatê. Fez as aulas por algum tempo, mas segundo a mãe, ela “não sentiu firmeza” e acabou desistindo. “Então tem uma amiguinha na escola, a Maria Clara, que faz taekwondo e todo dia ele falava para mim que ela o convidou e que o sonho dele era fazer também”, diz a mãe.

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Pai, mãe e Luigi. (Foto: Arquivo pessoal)

“Então eu fiquei com aquilo na minha cabeça e me perguntei ‘meu Deus o que é que eu vou fazer com esse menino?’. Fui me informar na escola quem era essa Maria Clara e se ela faz mesmo a luta e me falaram que o mestre é o tio dela, o Tiago Brandão”, relembra. Ao chegar em casa pesquisou na internet e viu várias fotos de cadeirantes fazendo aula no Facebook do instrutor, o que despertou sua atenção.

“O que tinha na minha cabeça é que taekondo era só chute e no tatame. Daí eu pensei ‘meu Deus, esse menino não vai poder fazer isso? É só uma ilusão para a cabeça dele?’”, se questionou Laura, que ao entrar em contato com Tiago, viu que a história é totalmente diferente. “Ele disse que na faculdade eles aprendem que é obrigatória essa questão da inclusão, só que ele não é procurado, e gostaria de ter oportunidade de ensinar o Luigi, de adaptar aquilo para ele.”

“O esporte mudou a rotina dele, a vida dele, o animo dele, a alegria dele. O primeiro dia foi emocionante.”

De acordo com a mãe, o esporte transformou não só a vida do pequeno Luigi, mas também a de todos ao seu redor, incluindo os outros alunos. Por um lado, seu filho se sente motivado e incluso na sociedade pelo convívio com outras crianças, enquanto os coleguinhas se esforçam para ver o Luigi bem. “Ele chega e todas as crianças ficam em cima querendo ajudar, inclusive a gente fala que não pode ficar empurrando, ele tem que se virar”, diz.

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(Foto: Arquivo pessoal)

E os benefícios são muitos, que vão desde noções de disciplina e respeito ao auxílio no movimento das mãos. “Na luta ele imita o mestre, o Tiago para ele é um exemplo e tudo o que não consegue fazer, ele coloca o outro professor para adaptar os movimentos, como os da mão. Ele tem uma dificuldade na mão esquerda que vem diminuindo porque ele tem se esforçado para fazer os movimentos”, ressalta.

Para Laura, o que mais pesou na escolha da escola de luta foi o fato do próprio Tiago ser um incentivador, e não ver obstáculos para incluir Luigi nas aulas. O esforço do mestre vai de contraponto aos “nãos” que ela ouve de muitas pessoas e instituições. “Então quando você encontra um lugar, encontra oportunidade e ouve mais ‘sim’ do que ‘não’, você acha que aquilo é uma maravilha. E para ele tem sido muito importante mesmo”, comenta.

“O esporte é muito importante, mas também o acolhimento da academia, não só do mestre, mas também das crianças. O ambiente foi primordial para minha escolha, se eu chegasse lá e escutasse muito ‘não’ eu teria ido embora”, revela a mãe que se diz entusiasmada caso seu filho resolva seguir carreira como para-atleta. “Eu vou ficar muito feliz. Assisto todas as olimpíadas antes mesmo de ter ele. Então eu acho que é um meio dele conseguir se igualar e ter uma vivencia diferente das coisas que ele já vive”, complementa.

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Maria Clara foi a grande incentivadora. (Foto: Tiago Brandão e arquivo pessoal)

E quem garante que o pequeno tem futuro é o próprio mestre: “Inclusive ele participou de um festival de taekwondo na semana passada e recebeu medalha de participação, ele jogou queimada, participou de competições de estafeta. Com essa prática ele abre um leque de possibilidades, e pode até virar um professor de luta. Mas mais importante aqui é ele está feliz”, afirma Tiago Brandão.

Assim como a mãe Laura e próprio Luigi tiveram inciativa de começar no esporte mesmo com as necessidades especiais, o mestre espera que outros cadeirantes também pratiquem taekwondo em Campo Grande. “Eu já oferece isso há muito tempo. Eu ponho na internet, no Facebook, mas as pessoas não procuram”. Aos interessados, a Academia Brandão fica na rua Antonio Maria Coelho, número 770. Mais informações na página oficial.

“Eu tive muito medo e dúvidas de ser uma ilusão porque o chute é legal também, e será que ele não vai querer fazer isso? Depois eu percebi que não posso pensar assim porque eu não quero ele fique da cadeira para o sofá, de um sofá para uma cama. Eu tenho que dar oportunidade para ele fazer este tipo de esporte”, finaliza a mãe.

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Mestre Tiago Brandão ensina golpe para Maria Clara. (Foto: Reprodução/Facebook)

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Fonte: Top Mídia News
Por: Renan Gonzaga

Mãe de dois cadeirantes e um bebê enfrenta difícil rotina nos ônibus de Belo Horizonte

A dona de casa Maria José impressiona pela coragem. De casa até o hospital onde os filhos recebem tratamentos, ela pega 4 ônibus e vence preconceitos

Deficiente / A historia de Maria Jose Almeida Santos Ribeiro que tem dois deficientes devido a suposto erro medico

Maria José chega à AMR e se desdobra para empurrar Caio e Vítor

No jogo da vida, são muitas as histórias e os desafios. Alguns deles parecem pesados demais e, para quem olha de fora, até impossíveis de lidar. Seus protagonistas são sinônimo de lições. Inspiram e ensinam, como a dona de casa Maria José Almeida Santos Ribeiro, de 30 anos, mãe de Caio Francisco Almeida Menes e Vítor Ribeiro Menes, dois meninos cadeirantes, de 7 e 2 anos e meio, e de Paulo Alexandre, um bebê sem problemas de saúde, de 4 meses. Empurra com habilidade as duas cadeiras de rodas por Belo Horizonte afora, sobe e desde de ônibus, sem jamais perder o sorriso. Serenidade e dignidade ocupam o semblante dessa mulher, representante de um contingente de guerreiros anônimos que, no papel de pais e filhos, travam uma batalha diária pela vida e contra o preconceito. Nessa luta, a vitória vem em forma de amor e de esperança e, andando lado a lado, buscam a cura e dias de mais alento.

Faça chuva ou sol, lá está ela, de terça a sexta-feira, pronta para enfrentar o longo caminho do Bairro Tancredo Neves, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, divisa com BH, até o Bairro Mangabeiras, na sede da Associação Mineira de Reabilitação (AMR). Terça e quinta há atendimento para os dois filhos. Nas quartas e sextas é um ou outro. Paulo Alexandre, que ainda mama no peito, vai junto e, se ninguém se dispõe a acompanhá-la, empurra as cadeiras e porta o neném no canguru. Em dias de chuva, como quando foi acompanha pelo Estado de Minas, conta com a ajuda da sogra para ficar com a criança.

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No tratamento, o pequeno Vítor se esforça para ficar de pé e andar um dia

Andar com as cadeiras não é fácil, um verdadeiro jogo de equilibrismo e de criatividade. No ônibus, uma vai atachada ao cinto de segurança, na área reservada a cadeirantes, e a outra, amarrada a um banco, com uma faixa de velcro especial. O impossível se torna natural, com direito a várias adaptações. Pendurada nas cadeiras, sacolas e mochila com lanches, marmitas nos dias em que a correria não permite almoçar em casa, roscas fresquinhas para vender, capa de chuva para cobrir os meninos, sombrinha e o que mais for necessário.

Uma campainha é o adereço final. De um lado, botão. De outro, uma sirene vermelha, do tipo bem barulhenta. “Isso é para quando os motoristas quiserem nos deixar para trás depois de todos os passageiros subirem no ônibus. Eu aperto e todo mundo escuta e não o deixa arrancar. Facilita também para andar na rua, pois as pessoas fingem que não veem e, por isso, não abrem passagem. Em dias de chuva é muito útil”, relata.

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Caio tem ajuda de psicopedagoga para fazer os deveres da escola

Esconde as histórias por trás de toda essa destreza. Foi uma sequência de provações desde as vésperas do nascimento de Caio, em 18 de janeiro de 2007. Ela conta que tinha sete meses de gravidez quando a bolsa estourou e, durante os três dias nos quais tentou atendimento, a equipe do centro de saúde a mandou de volta para casa. Por fim, decidiu ir ao Hospital Odilon Behrens, onde os médicos prepararam uma cesariana de emergência: o bebê tinha os batimentos cardíacos fracos e a mãe estava em estágio de pré-eclampsia. Dias depois, no Centro de Terapia Intensiva (CTI), Caio teve uma parada cardíaca e ficou cinco segundos desacordado. Maria José acredita que a demora no atendimento pode ter levado à paralisia cerebral, que o jogou na cadeira de rodas. “O médico falou que não era nada e foi tomar um café”, relata.

Na segunda gestação, Maria teve a síndrome da transfusão feto-fetal. Um feto recebe mais sangue que o outro, assim um se torna doador e produz pouco líquido amniótico e o outro receptor, com líquido em excesso. O resultado são bebês de tamanho desproporcional, sendo o doador normalmente pequeno e o receptor, grande. Ao detectar a complicação, o médico fez uma microcirurgia para retirar mais de 4 litros de líquido amniótico. Dois dias depois, a bolsa rompeu. Um dos bebês morreu. Sobreviveu Vítor, prematuro de 6 meses e peso de 750 gramas. O obstetra, de um plano de saúde, fez um parto normal e retirou a criança com a ajuda do fórceps. O menino teve traumatismo craniano. Três meses depois, numa avaliação na AMR, foi diagnosticado que ele também iria para uma cadeira de rodas. “O meu mundo desabou. Eu percebia que algo estava errado, mas quis fechar os olhos e enxergar apenas com o coração, na esperança de os médicos dizerem que estava tudo bem.”

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Na volta para casa, conta com ajuda para pôr Caio e Vítor no ônibus

A CURA DO PAI O terceiro filho, Paulo Alexandre, nasceu em dezembro do ano passado, com 4,1 quilos. Foi concebido como tentativa de curar o pai, o auxiliar de produção Adair Menes, de 35 anos. Durante todo o pré-natal, a ideia era colher o sangue do cordão umbilical, rico em células-tronco, para, no futuro, aproveitar os avanços da medicina para o marido, surdo desde os 11 anos de idade depois de contrair uma meningite, ter a chance de voltar a escutar. Mas o obstetra não deu andamento ao processo e, por falha médica ou falta de orientação adequada, o casal não pode levar o sonho adiante. “Meu marido ficou muito revoltado, mas agora se conformou”, diz.

Em meio a essa decepção, veio a alegria. Paulo é perfeito, grande e esbanja saúde ao longo de seus 4 meses. “Agora é que eu estou entendendo o que é ser mãe. Peguei o Caio nos braços pela primeira vez quando ele tinha 2 meses e o Vítor, quando tinha 3 meses e parecia um bebê que ainda ia nascer”, lembra. “Diferentemente dos outros, o Paulo já rola e dá gargalhadas. Faz sozinho, sem precisar de estímulos. Apesar de toda dificuldade, a vida me surpreende a cada dia.”

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Já no coletivo, ela alimenta os filhos depois de um dia de terapias

A vitória dos pequenos

A vida termina tarde e começa cedo na casa de Maria José. Ela dorme por volta da meia noite e, às 4h30, no máximo, está de pé para fazer as roscas que vende a outras mães e funcionários da AMR e dar conta do resto da casa. Leva Caio para a escola, busca e segue rumo à AMR. Na associação, os meninos têm acompanhamento em diversas áreas. Na fonoaudiologia, Vítor aprendeu a mastigar e a engolir. Agora, trabalha também a comunicação. A fala se aprimora a cada dia. Na fisioterapia, os movimentos para estimulá-lo a ficar de pé são a esperança de que o pequeno guerreiro andará um dia. Em outra sala, com auxílio de uma psicopedagoga, Caio, aluno do 2º ano do ensino fundamental, desenvolve a coordenação motora e mostra com orgulho que já sabe escrever.

Foram esses tratamentos que, há um ano e três meses, o fizeram andar. Entretanto, por causa do corpo ainda frágil e dos ossos deslocados, Maria José prefere não forçá-lo a caminhar e, por isso, o menino continua na cadeira de rodas. Mas deve andar definitivamente depois de uma cirurgia que fará nos próximos meses no quadril, joelhos e tornozelos. A partir daí, a mãe levará os filhos à AMR todos os dias.

Não será simples, mas a expectativa é grande. A vitória do Caio é um desafio à vida e, hoje, ela se orgulha de jamais ter desistido. “Quando ele nasceu, a médica do hospital me perguntou por que eu não desligava os aparelhos, já que ele tinha poucas chances de sobreviver e, se isso ocorresse, seria um vegetal”. “Essa foi só a primeira vez. Estou acostumada com as críticas e a ouvir piadinhas por ter um terceiro filho com dois na cadeira de rodas. Mas acho que nós também temos o direito de sermos felizes.”

No ambiente onde a esperança é a chave-mestra de diversas mães que passam anos na rotina de tratamento dos filhos deficientes, Maria José tem sempre um sorriso sincero estampado no rosto. “Tive suporte psicológico na AMR, mas ainda bate o desespero, principalmente quando motoristas e cobradores me desrespeitam”, relata.

No início do mês, quando o Estado de Minas acompanhou um dia de sua rotina, ela viveu mais um desses episódios corriqueiros, de motoristas arrancarem depois de os outros passageiros entrarem, passarem direto pelo ponto, pedirem para esperar outro ônibus ou, simplesmente, não a deixarem entrar com as duas cadeiras. Sem contar quando se depara com coletivos que não são equipados com elevadores ou com equipamentos estragados – não são raros os cobradores que se recusam a ajudá-la a subir com as cadeiras.

É preciso perseverança, pois quando está com os dois meninos, pega quatro ônibus de casa até a AMR: do bairro ao Centro; depois, a linha 104 até a Avenida Afonso Pena; de lá, o 4103 até o Parque das Mangabeiras e, por fim, outro da mesma linha para descer em frente à AMR – ele só passa na Rua Professor Otávio Coelho de Magalhães quando sai do parque em direção ao Bairro Aparecida.

No dia em que o EM a acompanhou, ela chegou atrasada à AMR. Isso porque um motorista se recusou a parar e o condutor do ônibus seguinte não queria transportá-los. “A cobradora me disse que tomaria multa da BHTrans se levasse as duas cadeiras. Eu lhe respondi que não poderia deixar um dos meninos para trás . E perguntei se ela é mãe ou avó, pedindo que se colocasse no meu lugar. Ela começou a chorar”, conta. Maria lamenta a falta de solidariedade e de compreensão e quase sempre conta com a ajuda de passageiros para ajudá-la a erguer as cadeiras.

Na semana anterior, outro episódio de desespero. Depois de subir Caio, o condutor arrancou, deixando para trás ela e Vítor na calçada. “A mamãe começou a gritar e a correr, batendo no ônibus e gritando: ‘Meu menino, meu menino’. Tive muito medo. Ele não pode fazer isso, mas faz”, relata Caio. Quando o desespero bate, são os filhos que a consolam: “Às vezes, tenho vontade de nem sair de casa. Aí, vem o Caio, não fala nada, só me dá um beijo. Meu humor muda. Sei que se eu não fizer esse esforço todo, lá na frente eles vão me cobrar”.

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No final doa dia, Maria José, a leoa que cuida das crias, ainda sorri

A esperança que não deixa desistir

Maria José também tem deficiência auditiva, moderada, e usa, há 17 anos, a mesma prótese para ouvir. Nessa época, com a perspectiva de melhorar a fala e cuidar da saúde, se mudou com a família de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, para BH. Medo das dificuldades não tem. Aliás, só não trabalha agora pelos motivos óbvios. Começou cedo, aos 9 anos de idade, como babá. As últimas crianças de quem cuidou eram trigêmeas, trabalho interrompido para outra nobre tarefa: ser mãe. Conta com a ajuda do marido, o companheiro no cuidado com os meninos.

Caio quer fazer da música sua grande descoberta. Aproveita a musicoterapia na AMR para aprender a tocar. A mãe também o inscreveu na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, onde ele espera ser chamado para aprender violoncelo e violino. Vítor veio ao mundo ser o companheiro do irmão. Tem na palavra “Caio” uma de suas prediletas. Vê o esforço do mais velho e, como mania de caçula, quer imitá-lo também a andar. Maria José segue serena, com uma dignidade de impressionar. E na luta para conseguir comprar roupas para as crianças e manter o estoque de fraldas em dia. Leoa cuidando da cria. Mulher que sabe de seus direitos e luta por eles. Batalhadora nata, com esperança à frente de tudo. (JO)

AMRA Associação Mineira de Reabilitação (AMR) atua desde 1964 no acompanhamento de crianças e adolescentes carentes com deficiência física. É uma organização filantrópica, sem fins lucrativos, que atende atualmente cerca de 500 pacientes, com paralisia cerebral e outras síndromes. Ampara também os familiares, por meio de projetos de inclusão escolar, esportiva e social. A AMR está localizada na Rua Professor Otávio Coelho de Magalhães, 111, no Bairro Mangabeiras.

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Fonte: Em.com.br
Por: Junia Oliveira

Veja 10 dicas para adaptar a casa para pessoas com deficiência física.

Algumas adaptações na casa onde moram pessoas com mobilidade reduzida são necessárias para tornar a vida mais fácil. Segundo a arquiteta Laurimar Coelho, é importante frisar que todo espaço destinado à pessoa com mobilidade reduzida ou mesmo com deficiência visual deve proporcionar a ela total autonomia.

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O banheiro é um dos locais que exige mais modificações (Fotos: Divulgação)

Isso quer dizer que o cadeirante, o usuário de bengala ou andador deve contar com todos os dispositivos necessários para que ele mesmo execute qualquer atividade sem pedir a ajuda de outras pessoas. “Do contrário, trata-se de um espaço adaptado e não acessível”, explica a arquiteta.

Para o arquiteto Augdan Oliveira Leite, são estratégicos os corredores de acesso aos ambientes, que devem ter espaço para a passagem da cadeira de rodas, e o uso de barras de segurança no banheiro.

O arquiteto recomenda que o ambiente seja bem clean, sem muitos móveis, para facilitar a circulação. As áreas externas devem ter rampas e só devem ser usados pisos antiderrapantes.

No caso de um sobrado, Augdan disse que podem ser instalados elevadores monta-carga. Segundo o arquiteto, eles custam R$ 60 mil, em média, mas não ocupam muito espaço e a instalação é muito prática. “Para quem pode arcar com o custo, o benefício é proporcionar acesso fácil à parte de cima da casa”, avalia.

Dez dicas para adaptar a casa

Segundo Laurimar, a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas trata exclusivamente do assunto e traz todas as referências a respeito das modificações em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Veja as principais mudanças a serem feitas:

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Em espaços públicos, como piscinas, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso

1- Pessoas que usam cadeiras de rodas ou mesmo andadores e bengalas e também com visão comprometida têm muita dificuldade para se locomover em pisos inclinados ou em espaços com escadas. Portanto, a primeira modificação é providenciar rampas e o nivelamento de pisos. Prefira sempre pisos antiderrapantes e elimine todos os tapetes da casa. No caso das rampas, há um padrão adequado para a sua construção. Do contrário, um cadeirante, por exemplo, não vai conseguir conduzir sozinho sua cadeira, pois não terá força suficiente para impulsioná-la em aclives e falta de segurança em declives. Uma rampa apropriada para cadeirante deve ter, no máximo, 8% de inclinação. Em espaços públicos, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso.
Em uma residência, a construção de rampas nem sempre é viável por conta da falta de espaço suficiente. Quanto maior o desnível, mais longa é a rampa. Neste caso, é preciso fazer um estudo detalhado do imóvel para oferecer patamares com espaço suficiente para um cadeirante poder manobrar sem risco de acidente. Há ainda a oferta de plataformas elevatórias, cadeiras elevatórias ou elevadores residenciais. Mas o custo é alto.

2- Corredores largos são essenciais também. Cadeirantes, pessoas com bengalas, muletas ou andadores precisam de, no mínimo, um metro para se locomoverem sem se chocar com as paredes.

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Corredores largos e com barras também são essenciais para a locomoção dentro de casa

3- Para cadeirantes é essencial também utilizar portas mais largas – 90 cm no mínimo. O peitoril de janela pode baixar para 70 cm de altura para cadeirantes, mas não é ideal para idosos ou crianças que circulam bem.

4- Portas e janelas devem ter maçanetas e puxadores especiais para o caso de a pessoa não ter braços ou mãos com atividade plena. No caso de residência para cadeirante, aconselha-se ainda a proteção metálica ou reforçada para a parte inferior das portas. Isso aumenta sua vida útil, já que pequenas colisões da cadeira são inevitáveis.

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Nos dormitórios, closet ou guarda-roupas devem ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas e ainda contar com espaço para a circulação da cadeira

5- Nos dormitórios, prefira móveis de cantos arredondados para evitar ferimentos. Closet ou guarda-roupas devem ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas. Acessórios que facilitam a manipulação e acomodação de cabides já existem no mercado. O ideal é contar com móveis de portas de correr, pois ocupam menos espaço e são mais práticas, em especial para os cadeirantes. Para eles, é preciso prever ainda o espaço de circulação da cadeira (1,5 metro x 1,5 metro é o mínimo para uma cadeira de rodas girar em seu próprio eixo). Ele deve ser suficiente para a manobra livre e a transferência da pessoa para a cama. Por isso, o ideal é que a cama não seja encostada na parede. O mesmo espaço é exigido nos banheiros.

6- Tomadas e principalmente interruptores de luz devem estar na altura adequada para o portador de deficiência alcançá-los. O ideal é fazer o projeto personalizado. Controles, botões, teclas e similares devem ser acionados através de pressão ou de alavanca.

7- No banheiro, os cuidados são redobrados. Além do piso antiderrapante é preciso providenciar barras de apoio. Mas antes de comprar tais barras, o consumidor deve estar atento à qualidade. As barras devem atender à Norma 9050 da ABNT – que estabelece dimensões e resistência apropriadas – e ainda às normas NBR 10283 e NBR 11003, que se referem à resistência à corrosão. As barras devem ser inteiramente de aço inox, incluindo suportes e parafusos de fixação sextavados. Do contrário, o risco de oxidação e de acidente é certo. As barras também devem ter empunhadura correta para evitar que a pessoa prenda o braço entre a alça e a parede, causando fratura.

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No banheiro, além do piso antiderrapante, é preciso pôr barras de apoio (Foto: Laurimar Coelho)

8- Há no mercado inúmeros modelos de barras com as mais variadas funções. Em lojas especializadas há também suportes para lavatório, espelhos com inclinação (por ficar permanentemente sentado, o cadeirante tem dificuldade de utilizar espelhos planos), bancos articulados para banho (porque nem toda pessoa com mobilidade reduzida consegue tomar banho em pé), elevação para vaso sanitário (assentos mais altos para facilitar a transferência da cadeira para o vaso sanitário) e metais sanitários (torneiras, registros etc.) com sistema de acionamento diferenciado.

Projetos mais sofisticados oferecem ainda a instalação nos banheiros de sistema de comunicação interna na residência – interfone – para casos de emergência.

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A recomendação é para a utilização de fogões, fornos ou cooktops elétricos

9- Na cozinha, um bom projeto deve dar garantia de circulação segura, aproximação e alcance dos utensílios. As pias devem possuir altura de no máximo 85 centímetros, com altura livre de, no mínimo, 73 centímetros. Bancada posicionada no centro da cozinha confere maior praticidade, principalmente se o fogão ou cooktop estiver nela – o acesso às bocas fica mais fácil. O melhor é utilizar fogões, fornos ou cooktops elétricos, pois, sem a presença do fogo na cocção, o trabalho torna-se mais seguro.

10- Além dos pisos antiderrapantes, se a pessoa sofrer de deficiência visual, uma boa solução é usar materiais de cores contrastes para alertar sobre a presença de degraus ou qualquer outra alteração no piso ou ainda nas paredes. Para estes usuários é importante também o uso adequado de texturas nas paredes. Mas, no geral, é correto evitar revestimentos ásperos que podem machucar.

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Fonte: Zap Imóveis

Fotógrafa faz ensaio de crianças com câncer para campanha de conscientização

Rylie, Rheann e Ainsley são fofíssimas e foram fotografadas para o projeto

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Rylie, Rheann e Ainsley têm 3, 6 e 4 anos Lora Scantling

A fotógrafa Lora Scantling, de Bethany, Oklahoma, nos Estados Unidos, está fazendo uma linda campanha de conscientização do câncer infantil.

Ela fotografou três meninas que estão lutando contra a doença, e a imagem já se tornou viral no Facebook, com milhares de compartilhamentos.

Segundo o site americano The Huffington Post, as pequenas pacientes possuem três, seis e quatro anos. Rylie, à esquerda, acabou de vencer uma batalha contra um câncer no rim no estágio cinco; Rheann, no meio, tem câncer cerebral; e Ainsley, à direita, possui leucemia.

A imagem vem com uma bela mensagem: “Às vezes, a força vem em saber que você não está sozinho”. As meninas não se conheciam antes de a foto ser feita, mas logo ficaram amigas.

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Fonte: R7

Conheça o relógio inovador feito para sentir as horas

O relógio foi planejado para deficientes visuais, mas vem chamando a atenção de muita gente não deficiente.
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O relógio recebeu o nome de Bradley Timepiece, em homenagem ao militar Bradley Snyder, que perdeu a visão num acidente no Afeganistão enquanto desativava uma bomba.

Segundo a Eone Time, criadora do relógio, ele foi planejado inicialmente para deficientes visuais, mas vem chamando a atenção de muita gente não deficiente. Segundo os criadores, a peça não foi feita para você ver as horas, e sim para senti-las.

Com design arrojado, ele não utiliza displays e tão poucos ponteiros convencionais para mostrar as horas. Os relógios para deficientes visuais eram apresentados com design mais simples e geralmente “falavam” as horas sempre que necessário, o que gerava incomodo dependendo do lugar onde a pessoa estava.

A diferença desses relógios para o Bradley Timepiece é que ele permite saber as horas através de duas bolinhas que são movimentadas por imãs. A ideia é simples: as bolinhas giram num mostrador que tem as horas marcadas em relevo. A bolinha em alto relevo nas laterais representa as horas, e as que ficam representam os minutos.

Veja um vídeo de demonstração do Bradley Timepiece

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Fonte: Administradores.com.br Notícias