Futuro de ciborgues? Pessoas implantam dispositivos no próprio corpo.

Pessoas já implantam dispositivos ou chips no organismo. São casos ainda isolados, mas surpreendentes e reforçam o quanto a sociedade está cada vez mais dependente da tecnologia, que invadiu nosso cotidiano e pode vir a se tornar parte do corpo humano. Ciborgues serão comuns no futuro? Veja, abaixo, histórias que mostram como avanços tecnológicos podem transformar a vida das pessoas.

Neil Harbisson, o primeiro ciborgue reconhecido internacionalmente, fala durante a Campus Party 2012 (Creative Commons/Flickr/Flávia de Quadros/Campus Party Brasil) (Foto: Neil Harbisson, o primeiro ciborgue reconhecido internacionalmente, fala durante a Campus Party 2012 (Creative Commons/Flickr/Flávia de Quadros/Campus Party Brasil))

Neil Harbisson, primeiro ciborgue reconhecido internacionalmente (Flávia de Quadros/Flickr)

Mas, afinal, o que é um ciborgue?

O termo normalmente se refere a pessoas com partes artificiais, biônicas ou mecânicas. A palavra foi popularizada em 1960 pelos cientistas Manfred Clynes e Nathan S. Kline. Ciborgue seria uma mistura de homem com robô, resultando em um homem-máquina, dotado de um organismo cibernético. O conceito influenciou a literatura, os quadrinhos – com um herói chamado Cyborg na DC Comics –, as demais artes e até o ativismo.

O personagem Cyborg, da DC Comics (Foto: Divulgação)

O personagem Cyborg, da DC Comics (Foto: Divulgação)

Cores artificiais para os olhos

O inglês Neil Harbisson é o primeiro homem na história a ser, oficialmente, considerado ciborgue por um governo. O motivo? Ele instalou uma antena em seu crânio, para recuperar parte de sua visão. O Reino Unido o reconheceu como um indivíduo dotado de próteses artificiais em seu corpo para sua sobrevivência e bem-estar.

Harbisson enxerga, mas apenas os objetos e as pessoas em preto e branco. A antena permite que ele perceba as cores por meio de ondas de som, atribuindo cada coloração a um tipo diferente de sonoridade. Em 2010, ele fundou a Cyborg Fundation, que estimula homens a utilizarem próteses e máquinas para suprirem suas deficiências. O ativista esteve no Brasil durante o evento de tecnologia Campus Party 2012.

Neil Harbisson nasceu com problema visual que o impede de enxergar cores (Foto: Reprodução/Wikipedia Commons)

Neil Harbisson nasceu com problema que o impede de enxergar cores (Foto: Reprodução/Wikipedia Commons)

A Cyborg Foundation está desenvolvendo um dedo artificial com um câmera para filmagens. Não há muitos detalhes públicos do projeto, mas ele é uma alternativa para quem não quer substituir uma mão inteira com uma prótese tecnológica.

Casal ciborgue

O professor Kevin Warwick, da Universidade de Reading, na Inglaterra, realiza pesquisas sobre projetos ciborgues. Ele e sua esposa implementaram, no corpo, uma tecnologia que liga seu sistema nervoso diretamente a um computador. Dessa forma, os dispositivos podem trabalhar juntos, e cada um pode controlar o outro.

O nome de Warwick é citado na edição 2013 do Guiness World Records Book. Ele é o primeiro a inventar uma comunicação eletrônica entre dois sistemas nervosos. O professor chegou a escrever um livro sobre o tema: “I, Cyborg”.

Professor de universidade realiza pesquisa sobre implante ciborgue (Foto: Reprodução/Universidade de Reading)

Professor universitário realiza pesquisa sobre implante ciborgue (Foto: Reprodução/Universidade de Reading)

Mão biônica

A empresa RSLSteeper é americana e está localizada no estado do Texas. A companhia tem 90 anos de experiências com próteses e desenvolveu a BeBionic, uma mão biônica. Constituída por fibra de carbono, a mão mioelétrica fica presa ao cotovelo a partir de um antebraço artificial. Ela responde às contrações musculares como uma mão real.

Homem com BeBionic, prótese de mão biônica (Foto: Reprodução/Cambridge News)

Homem com BeBionic, prótese de mão biônica (Foto: Reprodução/Cambridge News)

Nigel Ackland, na imagem acima, recebeu uma prótese e diz sentir que a BeBionic é como uma parte natural de seu corpo. “A mão me fez muito mais feliz. Eu posso procurar por uma camisa agora”, desabafou Ackland.

A mão biônica pode ser configurada em um software de computador. A RSLSeeper criou a prótese no Reino Unido, em 2010, e foi apresentada na cidade de Leipzig, na Alemanha. O preço é estimado entre US$ 25 mil e US$ 30 mil, cerca de R$ 68 mil.

Um aparelho para monitorar sinais vitais

Tim Cannon é o que chamamos de “biohacker”, um homem que rompe com os limites entre homens e máquinas. Ele criou um dispositivo eletrônico chamado Cicardia 1.0, capaz de recolher dados de sinais vitais, como a batida de coração, em uma camada abaixo da pele.

Cicardia 1.0 pretende monitorar seus sinais vitais implantado sob a pele (Foto: Reprodução/YouTube/Motherboard) (Foto: Cicardia 1.0 pretende monitorar seus sinais vitais implantado sob a pele (Foto: Reprodução/YouTube/Motherboard))

Cicardia 1.0, implantado sob pele, pretende monitorar sinais vitais (Foto: Reprodução/YouTube)

O detalhe é que Cannon colocou a prótese sem ajuda médica. O dispositivo se conecta por Bluetooth em dispositivos Android e pode ser monitorado via tablet, por exemplo. Se a pessoa apresenta uma variação de calor e demonstra nervosismo, o sistema faz recomendações ao usuário. Uma versão nova deve ser lançada nos próximos meses. Cicardia 1.0 deve custar US$ 500 (R$ 1,1 mil, em conversão direta).

Cicardia 1.0 foi desenvolvida por Tim Cannon (Foto: Reprodução/YouTube/Motherboard)

Cicardia 1.0 foi desenvolvido por Tim Cannon (Foto: Reprodução/YouTube/)

Chips nas mãos

Amal Graafstra implantou, em suas mãos, entre os dedos polegar e indicador, chips que funcionam com identificação por radiofrequência (RFID). Ele chegou a fundar a empresa Dangerous Things para comercializar os implantes.

Os chips oferecem diversas utilidades. Graafstra os programou para desbloquear o computador, o carro e até a casa, simplesmente com a proximidade das mãos. Pode ser uma solução radical e excêntrica para aqueles que se esquecem de senhas e costumam perder chaves.

Amal Graafstra tem chips RFID em suas mãos (Foto: Reprodução/Amal.net)

Raio-X das mãos de Amal Graafstra, com chips RFID (Foto: Reprodução/Amal.net)

Coração 100% artificial

A empresa francesa Carmat passou 25 anos produzindo um coração artificial. O aparelho pesa 900 gramas e custa US$ 200 mil, o equivalente a R$ 425 mil. Os criadores estão trabalhando em uma versão mais compacta.

Você teria um coração totalmente artifical? (Foto: Divulgação/Carmat)

Coração totalmente artificial pode vir a salvar vidas (Foto: Divulgação/Carmat)

O primeiro transplante com sucesso deste coração foi feito em dezembro do ano passado, no hospital George Pompidou de Paris, em um paciente de 76 anos cujo nome não foi revelado. A pessoa morreu em março deste ano, por problemas de circulação sanguínea decorrentes do antigo coração orgânico.

Apesar desse fracasso inicial, mais três pacientes estão sendo testados, especialmente em casos em que não há alternativa com o órgão biológico. O coração robótico se regula automaticamente, como o coração humano.

Chip contraceptivo

Um chip pode impedir a gravidez? Futuramente, talvez sim (Foto: Creative Commons/Flickr/Matt Laskowski)

Um chip pode impedir a gravidez? Futuramente, talvez sim (Foto: Creative Commons/Flickr/Matt Laskowski)

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) está desenvolvendo um chip útil para as mulheres, com previsão de chegar ao mercado em 2018. Trata-se de um circuito que, instalado na pele feminina, consegue emitir o hormônio levonorgestrel, utilizado em medicamentos contraceptivos. O projeto recebe incentivo do próprio Bill Gates.

Ou seja, o microchip seria capaz de substituir as pílulas anticoncepcionais. Ele pode funcionar continuamente por 16 anos e ser desativado remotamente por um controle sem fio, ou seja, a mulher pode interromper o uso quando quiser ter filhos.

Lente inteligente

O Google revelou em janeiro um protótipo de lentes de contato tecnológicas. O projeto tem o objetivo de medir o nível de glicose nas lágrimas. As lentes estariam conectadas a smartphone ou computador. As informações obtidas poderiam ser repassadas para o médico do paciente.

Lente para diabéticos em desenvolvimento pelo Google (Foto: Divulgação/Google)

Lente para diabéticos em desenvolvimento pelo Google (Foto: Divulgação/Google)

Em julho de 2014, a empresa do ramo farmacêutico Novartis licenciou a invenção. O presidente da companhia, Joe Jimenez, espera que o produto esteja pronto para o público em até cinco anos. A novidade não chega ao extremo da tecnologia ciborgue, mas, com o investimento da gigante de informática nessa área da saúde, o exemplo pode ser um indício de um futuro em que a tecnologia fará parte de nosso corpo.

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Fonte: TechTudo

Por: PEDRO ZAMBARDA

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