10 Frases que você nunca deve dizer a alguém em cadeira de rodas

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Rachelle Friedman é paraplégica devido a um acidente em sua despedida de solteira, quando uma dama de honra a empurrou em uma piscina rasa e quebrou o pescoço.

Desde então, sua vida mudou completamente, mas sabia como enfrentar a nova situação e 13 semanas após a lesão começou a praticar esportes adaptados para cadeiras de rodas como rugby, ciclismo ou surf adaptado.

Estar em uma cadeira de rodas é uma condição que você tem que viver e que, embora facilmente impedido de fazer certas tarefas, não é uma “pessoa deficiente” … como alguns pensam.

Rachel fez uma lista de 10 frases que nunca deve dizer a uma pessoa em uma cadeira de rodas desde o acidente comenta: “Eu já ouvi o suficiente de coisas loucas da boca das pessoas em meus anos como uma usuária de cadeira de rodas. Com certeza tem boas intenções, mas alguns sentimentos não são recebidas da maneira como muitos sem deficiência poderia esperar. Na comunidade de deficiência, não é incomum para fazer piadas sobre algumas conversas interessantes com a família, amigos e estranhos, por vezes, envolvem algumas declarações desagradáveis ​​… ”

1 -. “Você é bonita demais para alguém que está em uma cadeira de rodas.”

“Sim. As pessoas realmente dizem isso. Há esse grande equívoco que as pessoas em cadeiras de rodas são pouco atraentes, despenteado e negligenciada. Bem, lesões medulares e outras deficiências não discriminam as pessoas atraentes. Algumas das pessoas que eu conheço em cadeiras são absolutamente lindas! Mas, honestamente, isso não vem ao ponto. Se você está elogiando alguém, maravilhoso! mas deixa a cadeira de rodas fora do assunto “.

2 -. “Eu tive que usar uma cadeira de rodas quando eu quebrei minha perna, então eu sei exatamente o que você está passando.”

“Eu não posso te dizer quantas vezes eu conversei com um estranho e só ouvi o quão terrível foi o mês em que ficou com a perna engessada. Eles também tiveram que usar uma cadeira de rodas, então eu entendo totalmente … Lesões na medula espinhal incluem uma infinidade de outras questões que não envolvem o desligamento. Então, eu odeio soar insensível, mas torna-se difícil sorrir e ouvir ano após ano sua curta estadia em uma cadeira de rodas quando eu estou em um passeio agradável com meu marido. ”

3 -. “Você é uma inspiração.”

“Às vezes escutar isso tudo bem, mas há momentos em que isso me deixa muito desconfortável. Deixe-me dar um exemplo. Uma noite eu saí com meus amigos para um clube. Eu estava dançando com as meninas quando um cara se aproximou de mim e disse: ‘você é uma verdadeira inspiração. ” Naquele tempo com meus amigos estava despreocupada, uma garota normal saindo e me divertindo. Mas, de repente um outro me lembra: “ah sim estou em uma cadeira de rodas e as pessoas acreditam que é inspirador eu simplesmente sair ‘. Depois de anos em nossas cadeiras, não é para nós uma inspiração ir à loja, ir para a academia ou assistir a um evento esportivo. “Você é uma inspiração ‘é equivalente a dizer ” Se eu fosse você não acha que eu seria capaz de sair da minha casa ‘. Se isso te inspira tudo bem. Mas nós não gostamos de nos dizer o quão incrível somos por estarmos fazendo as coisas que você faz todos os dias .Normalmente, os outros me dizem que nunca lidariam  com a lesão com tanta tranquilidade. E, apesar disso, uma significativa maioria de nós segue a diante com sua vida. ”

4 -. “Eu só estacionei aqui por um minuto.”

“Não. Não. Esta é a desculpa número um que nos dão quando confrontamos com alguém que está ilegalmente estacionado em uma vaga para deficientes. Sendo que na maior parte do tempo isso não é verdade, eu não poderia acreditar que uma pessoa sem deficiência chegaria a este ponto. Este tipo de situação ocorre pelo menos uma vez por semana quando tento estacionar. Pessoas que precisam dessas vagas também tem que ir às reuniões e estar em lugares. Asseguro que eu gostaria poder andar um pouco mais e não precisar dessa vaga.”

5 -. “Tudo acontece por uma razão.”

“Para muitas pessoas em tempos difíceis, este pensamento os tira da depressão e lhes dá esperança. Para outros, é outra maneira de dizer que “o destino quis que você servisse para os outros perceberem que suas vidas não são tão ruins assim. Para mim? nenhum dos dois. Você pode não concordar com a afirmação, mas não me ofender. Acho que as vezes coisas muito ruins acontecem a pessoas boas, sem motivo aparente. Em alguns casos, você pode superar a tragédia e dar uma razão de ser, fazendo algo com impacto positivo. Em outros casos, pode ser simplesmente um terrível acontecimento que não requer um efeito, mas o tempo para enfrentar e curar. ”

6 -. “Espere, deixe-me ajudá-la! (Se Aproximando freneticamente) “.

“Sem dúvida, que quem corre para ajudar está apenas tentando ser amigável! Mas deixe-me explicar os sentimentos por trás do fato de que eu não gosto disso. Quando eu estava ferida, um monte de coisas já não estavam sob o meu controle. Há uma longa lista de coisas que eu não posso fazer sem alguém me ajudando, e perder a independência, por vezes, pode tirar a nossa capacidade de sentirmos “normais”. Então, se eu estou na loja e você me ver curvada para pegar meu telefone, me dê uma chance para conseguir. Eu prometo que as pessoas na minha situação estão acostumados a pedir ajuda, por isso, não hesite em perguntar se a pessoa realmente precisa dela. Além disso, geralmente não precisam de ajuda para entrar em nossos carros ou empurrando nossas cadeiras. Não sairíamos sozinhos, se não conseguíssemos fazer com independência! Agradecemos que as pessoas queiram ajudar, mas eu acredito que aqueles que nos ajudam a aprender a fazer mais coisas com mais independência são mais uteis. ”

7 -. “É bom vê-la na rua.”

“Eu não estou falando de um cenário em que eu me encontro com um velho amigo no restaurante. Estou falando de completos estranhos que vêm e me dizem. Eu nem tenho certeza do que isso significa. A sociedade acha que somos eremitas? Eu juro que uma esmagadora maioria de nós sai de casa “.

8 -. “Você já encontrou um grande homem.”

“O fato de que o meu marido escolheu ficar comigo depois do meu acidente não é o que o torna um grande homem, porque sua decisão não foi baseada na moralidade. O fato de você ficar com alguém porque é direito “é, na verdade, a coisa mais errada a fazer. Se você decidir ficar com alguém é porque você o ama. Puro e simples. Então quando as pessoas aperta a mão e diz que ele é um “homem de verdade” para ficar comigo e depois me diz como tenho sorte em tê-lo, deixa um gosto amargo. Esta é uma conversa que Chris e eu tivemos com muitos casais como nós. Ninguém quer “receber parabéns” por não deixar de lado alguém que realmente ama.”

9 -. “Com seu esforço e atitude, eu sei que voltara a andar.”

“Não é assim que funciona, mas eu gostaria que fosse assim! Se uma lâmpada não está conectado garanto que uma boa atitude não vai fazer ela ascender, não importa o quão duro você tente. As lesões de algumas pessoas são menos graves e, para elas, uma terapia rigorosa pode produzir resultados. Mas para muitos de nós simplesmente não funcionam sem a ciência. Muitas das pessoas que se recuperaram suas funções tiveram uma atitude ruim, e milhões de pessoas que ainda estão em suas cadeiras têm demonstrado grande determinação. Se você acha que o esforço e a atitude são a solução de uma cura, a próxima vez que você estiver em uma tempestade me ligue depois a fizer desaparecer. ”

10 -. “Qualquer coisa que você diz em um tom de voz condescendente.”

“Eu não sei o que faz com que as pessoas que eu converso pela primeira vez fale com voz aguda, mas não é raro. Eu não estou falando sobre as doces senhorinhas. Estou falando de gente perto de minha idade. Se você fosse colocado junto com um adulto que não usa uma cadeira de rodas, você não diria (com voz condescendente) “Prazer em conhecê-la, minha querida! ‘. Eu sorrio e devolvo o seu entusiasmo, mas gostaria de ter uma interação mais adequada com a nossa idade.”

“Se você disser alguma destas frases, não se sinta mal (a menos que você tenha estacionado em uma vaga reservada para pessoa com deficiência!). Nós não nos sentimos irritado ou ofendido, mas queremos que as pessoas entendam. Nós não somos inspiradores por vivermos nossas vidas diárias, completando as tarefas do dia a dia, que como adultos, estamos submetidos. Casais formados por pessoas sem deficiência e pessoas com deficiência não são heróis. Apenas amam suas “metades da laranja” como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de nos congratular dando palmadas em nossas costas como conforto (ou nas nossas cabeça!) Só porque você está saindo de nossas casas. Talvez eu não esteja falando em nome de todos, mas eu sei que muitas pessoas na mesma situação que a minha gostariam que os outros soubessem. Se você tivesse uma deficiência, essas coisas te incomodariam? “.

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Texto original em Espanhol, tradução e adaptação: Deficiente Sim, Superar Sempre

Fonte: Tododisca

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Veja 10 dicas para adaptar a casa para pessoas com deficiência física.

Algumas adaptações na casa onde moram pessoas com mobilidade reduzida são necessárias para tornar a vida mais fácil. Segundo a arquiteta Laurimar Coelho, é importante frisar que todo espaço destinado à pessoa com mobilidade reduzida ou mesmo com deficiência visual deve proporcionar a ela total autonomia.

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O banheiro é um dos locais que exige mais modificações (Fotos: Divulgação)

Isso quer dizer que o cadeirante, o usuário de bengala ou andador deve contar com todos os dispositivos necessários para que ele mesmo execute qualquer atividade sem pedir a ajuda de outras pessoas. “Do contrário, trata-se de um espaço adaptado e não acessível”, explica a arquiteta.

Para o arquiteto Augdan Oliveira Leite, são estratégicos os corredores de acesso aos ambientes, que devem ter espaço para a passagem da cadeira de rodas, e o uso de barras de segurança no banheiro.

O arquiteto recomenda que o ambiente seja bem clean, sem muitos móveis, para facilitar a circulação. As áreas externas devem ter rampas e só devem ser usados pisos antiderrapantes.

No caso de um sobrado, Augdan disse que podem ser instalados elevadores monta-carga. Segundo o arquiteto, eles custam R$ 60 mil, em média, mas não ocupam muito espaço e a instalação é muito prática. “Para quem pode arcar com o custo, o benefício é proporcionar acesso fácil à parte de cima da casa”, avalia.

Dez dicas para adaptar a casa

Segundo Laurimar, a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas trata exclusivamente do assunto e traz todas as referências a respeito das modificações em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Veja as principais mudanças a serem feitas:

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Em espaços públicos, como piscinas, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso

1- Pessoas que usam cadeiras de rodas ou mesmo andadores e bengalas e também com visão comprometida têm muita dificuldade para se locomover em pisos inclinados ou em espaços com escadas. Portanto, a primeira modificação é providenciar rampas e o nivelamento de pisos. Prefira sempre pisos antiderrapantes e elimine todos os tapetes da casa. No caso das rampas, há um padrão adequado para a sua construção. Do contrário, um cadeirante, por exemplo, não vai conseguir conduzir sozinho sua cadeira, pois não terá força suficiente para impulsioná-la em aclives e falta de segurança em declives. Uma rampa apropriada para cadeirante deve ter, no máximo, 8% de inclinação. Em espaços públicos, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso.
Em uma residência, a construção de rampas nem sempre é viável por conta da falta de espaço suficiente. Quanto maior o desnível, mais longa é a rampa. Neste caso, é preciso fazer um estudo detalhado do imóvel para oferecer patamares com espaço suficiente para um cadeirante poder manobrar sem risco de acidente. Há ainda a oferta de plataformas elevatórias, cadeiras elevatórias ou elevadores residenciais. Mas o custo é alto.

2- Corredores largos são essenciais também. Cadeirantes, pessoas com bengalas, muletas ou andadores precisam de, no mínimo, um metro para se locomoverem sem se chocar com as paredes.

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Corredores largos e com barras também são essenciais para a locomoção dentro de casa

3- Para cadeirantes é essencial também utilizar portas mais largas – 90 cm no mínimo. O peitoril de janela pode baixar para 70 cm de altura para cadeirantes, mas não é ideal para idosos ou crianças que circulam bem.

4- Portas e janelas devem ter maçanetas e puxadores especiais para o caso de a pessoa não ter braços ou mãos com atividade plena. No caso de residência para cadeirante, aconselha-se ainda a proteção metálica ou reforçada para a parte inferior das portas. Isso aumenta sua vida útil, já que pequenas colisões da cadeira são inevitáveis.

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Nos dormitórios, closet ou guarda-roupas devem ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas e ainda contar com espaço para a circulação da cadeira

5- Nos dormitórios, prefira móveis de cantos arredondados para evitar ferimentos. Closet ou guarda-roupas devem ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas. Acessórios que facilitam a manipulação e acomodação de cabides já existem no mercado. O ideal é contar com móveis de portas de correr, pois ocupam menos espaço e são mais práticas, em especial para os cadeirantes. Para eles, é preciso prever ainda o espaço de circulação da cadeira (1,5 metro x 1,5 metro é o mínimo para uma cadeira de rodas girar em seu próprio eixo). Ele deve ser suficiente para a manobra livre e a transferência da pessoa para a cama. Por isso, o ideal é que a cama não seja encostada na parede. O mesmo espaço é exigido nos banheiros.

6- Tomadas e principalmente interruptores de luz devem estar na altura adequada para o portador de deficiência alcançá-los. O ideal é fazer o projeto personalizado. Controles, botões, teclas e similares devem ser acionados através de pressão ou de alavanca.

7- No banheiro, os cuidados são redobrados. Além do piso antiderrapante é preciso providenciar barras de apoio. Mas antes de comprar tais barras, o consumidor deve estar atento à qualidade. As barras devem atender à Norma 9050 da ABNT – que estabelece dimensões e resistência apropriadas – e ainda às normas NBR 10283 e NBR 11003, que se referem à resistência à corrosão. As barras devem ser inteiramente de aço inox, incluindo suportes e parafusos de fixação sextavados. Do contrário, o risco de oxidação e de acidente é certo. As barras também devem ter empunhadura correta para evitar que a pessoa prenda o braço entre a alça e a parede, causando fratura.

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No banheiro, além do piso antiderrapante, é preciso pôr barras de apoio (Foto: Laurimar Coelho)

8- Há no mercado inúmeros modelos de barras com as mais variadas funções. Em lojas especializadas há também suportes para lavatório, espelhos com inclinação (por ficar permanentemente sentado, o cadeirante tem dificuldade de utilizar espelhos planos), bancos articulados para banho (porque nem toda pessoa com mobilidade reduzida consegue tomar banho em pé), elevação para vaso sanitário (assentos mais altos para facilitar a transferência da cadeira para o vaso sanitário) e metais sanitários (torneiras, registros etc.) com sistema de acionamento diferenciado.

Projetos mais sofisticados oferecem ainda a instalação nos banheiros de sistema de comunicação interna na residência – interfone – para casos de emergência.

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A recomendação é para a utilização de fogões, fornos ou cooktops elétricos

9- Na cozinha, um bom projeto deve dar garantia de circulação segura, aproximação e alcance dos utensílios. As pias devem possuir altura de no máximo 85 centímetros, com altura livre de, no mínimo, 73 centímetros. Bancada posicionada no centro da cozinha confere maior praticidade, principalmente se o fogão ou cooktop estiver nela – o acesso às bocas fica mais fácil. O melhor é utilizar fogões, fornos ou cooktops elétricos, pois, sem a presença do fogo na cocção, o trabalho torna-se mais seguro.

10- Além dos pisos antiderrapantes, se a pessoa sofrer de deficiência visual, uma boa solução é usar materiais de cores contrastes para alertar sobre a presença de degraus ou qualquer outra alteração no piso ou ainda nas paredes. Para estes usuários é importante também o uso adequado de texturas nas paredes. Mas, no geral, é correto evitar revestimentos ásperos que podem machucar.

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Fonte: Zap Imóveis

Como Chamar PESSOAS Que TEM Deficiência? *

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Em todas as épocas e localidades, a pergunta que não quer calar-se tem sido esta, com alguma variação: “Qual é o termo correto – portador de deficiência, pessoa portadora de deficiência ou portador de necessidades especiais?”  Responder esta pergunta tão simples é simplesmente trabalhoso, por incrível que possa parecer.

Comecemos por deixar bem claro que jamais houve ou haverá um único termo correto, válido definitivamente em todos os tempos e espaços, ou seja, latitudinal e longitudinalmente. A razão disto reside no fato de que a cada época são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes em cada sociedade enquanto esta evolui em seu relacionamento com as pessoas que possuem este ou aquele tipo de deficiência.

Percorramos, mesmo que superficialmente, a trajetória dos termos utilizados ao longo da história da atenção às pessoas com deficiência, no Brasil.

ÉPOCA

TERMOS E SIGNIFICADOS

VALOR DA PESSOA

  • No começo da história, durante séculos.
  • Romances, nomes de instituições, leis, mídia e outros meios mencionavam “os inválidos”. Exemplos: “A reabilitação profissional visa a proporcionar aos beneficiários inválidos …” (Decreto federal nº 60.501, de 14/3/67, dando nova redação ao Decreto nº 48.959-A, de 19/9/60).
  • “os inválidos”. O termo significava “indivíduos sem valor”. Em pleno século 20, ainda se utilizava este termo, embora já sem nenhum sentido pejorativo.
  • Outro exemplo:
  • “Inválidos insatisfeitos com lei relativa aos ambulantes” (Diário Popular, 21/4/76).
  • Aquele que tinha deficiência era tido como socialmente inútil, um peso morto para a sociedade, um fardo para a família, alguém sem valor profissional.
  • Outros exemplos:
  • “Servidor inválido pode voltar” (Folha de S. Paulo, 20/7/82).
  • “Os cegos e o inválido” (IstoÉ, 7/7/99).

  • Século 20 até ± 1960.
  • “Derivativo para incapacitados” (Shopping News, Coluna Radioamadorismo, 1973).
  • “Escolas para crianças incapazes” (Shopping News, 13/12/64).
  • Após a I e a II Guerras Mundiais, a mídia usava o termo assim: “A guerra produziu incapacitados”, “Os incapacitados agora exigem reabilitação física”.

  • “os incapacitados”. O termo significava, de início, “indivíduos sem capacidade” e, mais tarde, evoluiu e passou a significar “indivíduos com capacidade residual”. Durante várias décadas, era comum o uso deste termo para designar pessoas com deficiência de qualquer idade. Uma variação foi o termo “os incapazes”, que significava “indivíduos que não são capazes” de fazer algumas coisas por causa da deficiência que tinham.

  • Foi um avanço da sociedade reconhecer que a pessoa com deficiência poderia ter capacidade residual, mesmo que reduzida.
  • Mas, ao mesmo tempo, considerava-se que a deficiência, qualquer que fosse o tipo, eliminava ou reduzia a capacidade da pessoa em todos os aspectos: físico, psicológico, social, profissional etc.

  • De ± 1960 até ± 1980.
  • “Crianças defeituosas na Grã-Bretanha tem educação especial”  (Shopping News, 31/8/65).
  • No final da década de 50, foi fundada a Associação de Assistência à Criança Defeituosa – AACD (hoje denominada Associação de Assistência à Criança Deficiente).
  • Na década de 50 surgiram as primeiras unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae.

  • “os defeituosos”.  O termo significava “indivíduos com deformidade” (principalmente física).
  • “os deficientes”. Este termo significava “indivíduos com deficiência” física, mental, auditiva, visual ou múltipla, que os levava a executar as funções básicas de vida (andar, sentar-se, correr, escrever, tomar banho etc.) de uma forma diferente daquela como as pessoas sem deficiência faziam. E isto começou a ser aceito pela sociedade.
  • “os excepcionais”. O termo significava “indivíduos com deficiência mental”.

  • A sociedade passou a utilizar estes três termos, que focalizam as deficiências em si sem reforçarem o que as pessoas não conseguiam fazer como a maioria.
  • Simultaneamente, difundia-se o movimento em defesa dos direitos das pessoas superdotadas (expressão substituída por “pessoas com altas habilidades” ou “pessoas com indícios de altas habilidades”). O movimento mostrou que o termo “os excepcionais” não poderia referir-se exclusivamente aos que tinham deficiência mental, pois as pessoas com superdotação também são excepcionais por estarem na outra ponta da curva da inteligência humana.

  • De 1981 até ± 1987.
  • Por pressão das organizações de pessoas com deficiência, a ONU deu o nome de “Ano Internacional das Pessoas Deficientes” ao ano de 1981.
  • E o mundo achou difícil começar a dizer ou escrever “pessoas deficientes”. O impacto desta terminologia foi profundo e ajudou a melhorar a imagem destas pessoas.

  • “pessoas deficientes”. Pela primeira vez em todo o mundo, o substantivo “deficientes” (como em “os deficientes”) passou a ser utilizado como adjetivo, sendo-lhe acrescentado o substantivo “pessoas”.
  • A partir de 1981, nunca mais se utilizou a palavra “indivíduos” para se referir às pessoas com deficiência.

  • Foi atribuído o valor “pessoas” àqueles que tinham deficiência, igualando-os em direitos e dignidade à maioria dos membros de qualquer sociedade ou país.
  • A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 1980 a Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades, mostrando que estas três dimensões existem simultaneamente em cada pessoa com deficiência.

  • De ± 1988 até ± 1993.
  • Alguns líderes de organizações de pessoas com deficiência contestaram o termo “pessoa deficiente” alegando que ele sinaliza que a pessoa inteira é deficiente, o que era inaceitável para eles.

  • “pessoas portadoras de deficiência”. Termo que, utilizado somente em países de língua portuguesa, foi proposto para substituir o termo “pessoas deficientes”.
  • Pela lei do menor esforço, logo reduziram este termo para “portadores de deficiência”.

  • O “portar uma deficiência” passou a ser um valor agregado à pessoa. A deficiência passou a ser um detalhe da pessoa. O termo foi adotado nas Constituições federal e estaduais e em todas as leis e políticas pertinentes ao campo das deficiências. Conselhos, coordenadorias e associações passaram a incluir o termo em seus nomes oficiais.
 

  • De ± 1990 até hoje.
  • O art. 5° da Resolução CNE/CEB n° 2, de 11/9/01, explica que as necessidades especiais decorrem de três situações, uma das quais envolvendo dificuldades vinculadas a deficiências e dificuldades não-vinculadas a uma causa orgânica.
 

  • “pessoas com necessidades especiais”.  O termo surgiu primeiramente para substituir “deficiência” por “necessidades especiais”. daí a expressão “portadores de necessidades especiais”. Depois, esse termo passou a ter significado próprio sem substituir o nome “pessoas com deficiência”.

  • De início, “necessidades especiais” representava apenas um novo termo.
  • Depois, com a vigência da Resolução n° 2, “necessidades especiais” passou a ser um valor agregado tanto à pessoa com deficiência quanto a outras pessoas.

  • Mesma época acima.
  • Surgiram expressões como “crianças especiais”, “alunos especiais”, “pacientes especiais” e assim por diante numa tentativa de amenizar a contundência da palavra “deficientes”.

  • “pessoas especiais”. O termo apareceu como uma forma reduzida da expressão “pessoas com necessidades especiais”, constituindo um eufemismo dificilmente aceitável para designar um segmento populacional.

 


  • O adjetivo “especiais” permanece como uma simples palavra, sem agregar valor diferenciado às pessoas com deficiência. O “especial” não é qualificativo exclusivo das pessoas que têm deficiência, pois ele se aplica a qualquer pessoa.

  • Em junho de 1994.
  • A Declaração de Salamanca preconiza a educação inclusiva para todos, tenham ou não uma deficiência.

  • “pessoas com deficiência” e pessoas sem deficiência, quando tiverem necessidades educacionais especiais e se encontrarem segregadas, têm o direito de fazer parte das escolas inclusivas e da sociedade inclusiva.

  • O valor agregado às pessoas é o de elas fazerem parte do grande segmento dos excluídos que, com o seu poder pessoal, exigem sua inclusão em todos os aspectos da vida da sociedade. Trata-se do empoderamento.

  • Em maio de 2002.
  • O Frei Betto escreveu no jornal O Estado de S.Paulo um artigo em que propõe o termo “portadores de direitos especiais” e a sigla PODE.
  • Alega o proponente que o substantivo “deficientes” e o adjetivo “deficientes” encerram o significado de falha ou imperfeição enquanto que a sigla PODE exprime capacidade.
  • O artigo, ou parte dele, foi reproduzido em revistas especializadas em assuntos de deficiência.

 


  • “portadores de direitos especiais”.  O termo e a sigla apresentam problemas que inviabilizam a sua adoção em substituição a qualquer outro termo para designar pessoas que têm deficiência. O termo “portadores” já vem sendo questionado por sua alusão a “carregadores”, pessoas que “portam” (levam) uma deficiência. O termo “direitos especiais” é contraditório porque as pessoas com deficiência exigem equiparação de direitos e não direitos especiais. E mesmo que defendessem direitos especiais, o nome “portadores de direitos especiais” não poderia ser exclusivo das pessoas com deficiência, pois qualquer outro grupo vulnerável pode reivindicar direitos especiais.

 


  • Não há valor a ser agregado com a adoção deste termo, por motivos expostos na coluna ao lado e nesta.
  • A sigla PODE, apesar de lembrar “capacidade”, apresenta problemas de uso:
  • 1) Imaginem a mídia e outros autores escrevendo ou falando assim: “Os Podes de Osasco terão audiência com o Prefeito…”, “A Pode Maria de Souza manifestou-se a favor …”, “A sugestão de José Maurício, que é um Pode, pode ser aprovada hoje …”
  • 2) Pelas normas brasileiras de ortografia, a sigla PODE precisa ser grafada “Pode”.
  •   Norma: Toda sigla com mais de 3 letras, pronunciada como uma palavra, deve ser grafada em caixa baixa com exceção da letra inicial.

  • De ± 1990 até hoje e além.
  • A década de 90 e a primeira década do século 21 e do Terceiro Milênio estão sendo marcadas por eventos mundiais, liderados por organizações de pessoas com deficiência.
  • A relação de documentos produzidos nesses eventos pode ser vista no final deste artigo.

  • “pessoas com deficiência” passa a ser o termo preferido por um número cada vez maior de adeptos, boa parte dos quais é constituída por pessoas com deficiência que, no maior evento (“Encontrão”) das organizações de pessoas com deficiência, realizado no Recife em 2000, conclamaram o público a adotar este termo. Elas esclareceram que não são “portadoras de deficiência” e que não querem ser chamadas com tal nome.

  • Os valores agregados às pessoas com deficiência são:
  • 1) o do empoderamento [uso do poder pessoal para fazer escolhas, tomar decisões e assumir o controle da situação de cada um] e
  • 2) o da responsabilidade de contribuir com seus talentos para mudar a sociedade rumo à inclusão de todas as pessoas, com ou sem deficiência.

Os movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo os do Brasil, estão debatendo o nome pelo qual elas desejam ser chamadas. Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de “pessoas com deficiência” em todos os idiomas. E esse termo faz parte do texto da Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 2004 e promulgada posteriormente através de lei nacional de todos os Países-Membros.

Eis os princípios básicos para os movimentos terem chegado ao nome “pessoas com deficiência”:

  1. Não esconder ou camuflar a deficiência;
  2. Não aceitar o consolo da falsa idéia de que todo mundo tem deficiência;
  3. Mostrar com dignidade a realidade da deficiência;
  4. Valorizar as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência;
  5. Combater neologismos que tentam diluir as diferenças, tais como “pessoas com capacidades especiais”, “pessoas com eficiências diferentes”, “pessoas com habilidades diferenciadas”, “pessoas dEficientes”, “pessoas especiais”, “é desnecessário discutir a questão das deficiências porque todos nós somos imperfeitos”, “não se preocupem, agiremos como avestruzes com a cabeça dentro da areia” (i.é, “aceitaremos vocês sem olhar para as suas deficiências”);
  6. Defender a igualdade entre as pessoas com deficiência e as demais pessoas em termos de direitos e dignidade, o que exige a equiparação de oportunidades para pessoas com deficiência atendendo às diferenças individuais e necessidades especiais, que não devem ser ignoradas;
  7. Identificar nas diferenças todos os direitos que lhes são pertinentes e a partir daí encontrar medidas específicas para o Estado e a sociedade diminuírem ou eliminarem as “restrições de participação” (dificuldades ou incapacidades causadas pelos ambientes humano e físico contra as pessoas com deficiência).

Conclusão

A tendência é no sentido de parar de dizer ou escrever a palavra “portadora” (como substantivo e como adjetivo).  A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa e esta pessoa não porta sua deficiência. Ela tem uma deficiência. Tanto o verbo “portar” como o substantivo ou o adjetivo “portadora” não se aplicam a uma condição inata ou adquirida que faz parte da pessoa. Por exemplo, não dizemos e nem escrevemos que uma certa pessoa é portadora de olhos verdes ou pele morena.

Uma pessoa só porta algo que ela possa não portar, deliberada ou casualmente. Por exemplo, uma pessoa pode portar um guarda-chuva se houver necessidade e deixá-lo em algum lugar por esquecimento ou por assim decidir. Não se pode fazer isto com uma deficiência, é claro.

A quase totalidade dos documentos, a seguir mencionados, foi escrita e aprovada por organizações de pessoas com deficiência que, no atual debate sobre a Convenção da ONU aprovada em 2004, chegando ao consenso quanto a adotar a expressão “pessoas com deficiência” em todas as suas manifestações orais ou escritas.

Documentos do Sistema ONU

 

  • 1990 – Declaração Mundial sobre Educação para Todos / Unesco.
  • 1993 – Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência / ONU.
  • 1993 – Inclusão Plena e Positiva de Pessoas com Deficiência em Todos os Aspectos da Sociedade / ONU.
  • 1994 – Declaração de Salamanca e Linhas de Ação sobre Educação para Necessidades Especiais / Unesco.
  • 1999 – Convenção Interamericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência (Convenção da Guatemala) / OEA.
  • 2001 – Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde (CIF) / OMS, que substituiu a Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades / OMS, de 1980.
  • 2003 – Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência / ONU.

Documentos de outros organismos mundiais

    • 1992 – Declaração de Vancouver.
    • 1993 – Declaração de Santiago.
    • 1993 – Declaração de Maastricht.
    • 1993 – Declaração de Manágua.
    • 1999 – Carta para o Terceiro Milênio.
    • 1999 – Declaração de Washington.
    • 2000 – Declaração de Pequim.
    • 2000 – Declaração de Manchester sobre Educação Inclusiva.
    • 2002 – Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão.
    • 2002 – Declaração de Madri.
    • 2002 – Declaração de Sapporo.
    • 2002 – Declaração de Caracas.
    • 2003 – Declaração de Kochi.
    • 2003 – Declaração de Quito.

Autor: Romeu Kazumi Sassaki

* Publicado no livreto Vida Independente:. História, Movimento, Liderança, Conceito, Filosofia e Fundamentos São Paulo: RNR, 2003, p. 12-16.